quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O Mito Perfeito



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Narciso, o amor além da projeção. É o amor estéril que ama a si próprio.
O que o ego conquista ao refletir a perfeição máxima somente em si? Perfeição é um conceito limitado e pertence somente àqueles que decidem ancorar no lugar mais confortável. As realizações acontecem através da exploração. Para onde tudo isso pode levar? Para um lugar que você sonha agora, ou talvez descubra várias realidades mais impressionantes que os sonhos. O amor não pertence a nenhum lugar, ele sempre está nos melhores atos e, os melhores nunca são perfeitos, são plenos. Por que Narciso não observou ao redor? De certo não estava seguro. A esterilidade e a morte fazem uma combinação perfeita, mas longe da harmonia. São perfeitas por serem intactas, alcançam o final em um piscar de olhos.

sábado, 29 de agosto de 2009

Reencarnação


Sempre em ti,
mentalizo em suplício o vício do prazer
;
O recorte da alma,percorre suavemente o ar
até que o vácuo o engole,
e desfaz seus significados em morte
.

Ao renascer,
abre-se em luz,
e se subestima mais uma vez

às habilidades carnais por uma nova vida.


Respiro.
Os pulmões são dois caçadores saciados por vida.
Sobrevivem através de um espaço sem cor e sem aroma.

Aspira o ambiente,
Que aponta além,

Medo
Sim, é a resposta distante como o grito de uma águia.

Up

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Perseguição (Sylvia Plath)


Há uma pantera me esperando de tocaia:
Algum dia vou morrer graças a ela;
Sua gana ateou fogo nas florestas,
Ela espreita, envolvente como a lua.
Muito macio e suave desliza seu passo,
Avançando sempre pelas minhas costas;
Da cicuta soturna, gralhas gritam desastre:
A caçada começa, o cerco está armado.
Esfolado por espinhos eu percorro pedras,
Ressecado pelo calor branco do meio-dia.
Ao longo da rede vermelha de suas veias
Que fogos correm, que desejos despertam?

Insaciável, ela explora e pilha o território
Condenado pela falha de nossos ancestrais,
Gritando: sangue, que o sangue jorre mais;
Carne tem que encher na sua boca o rasgo novo.
Afiados os dentes dilacerantes e doce
A chamuscada fúria de sua pelugem;
Seus beijos deixam crestas, as patas, fuligem,
Só um juízo final consumirá sua fome.
No rastro da grande felina encarniçada,
Acesos como tochas para sua diversão,
Homens tostados e devorados no chão
Viram iscas de sua fúria esfomeada.

Morros já tramam perigo, a sombra se incuba;
A meia-noite encobre o bosque opressor;
A saqueadora negra, atrelada pelo amor
Nos quadris fluentes, me força à fuga.
Por trás do matagal confuso dos meus olhos
Fléxil ela espera; na emboscada dos sonhos,
Brilhantes as garras que estraçalham corpos
E famintas, famintas, suas tensas coxas.
Seu ardor me enlaça, incendeia as árvores,
E eu fujo com minha pele já flamejante;
Qual acalanto, qual alívio será frio bastante
Quando esse olhar de topázio queima e marca?

Lanço-lhe meu coração para frear seu ritmo,
Desperdiço sangue para saciar sua sede;
Ela come, mas não alivia sua ansiedade,
Que requer compulsiva um total sacrifício.
Sua voz me alicia, me enfeitiça em transe,
A floresta estripada desmorona em cinzas;
Apavorado por desejo secreto, fujo ainda
De um ataque tão violento e rutilante.
Entrando na torre dos medos mais sentidos,
Fecho as portas da minha culpa sinistra,
Eu tranco a porta, tranco toda e cada porta.
O sangue acelera, retumba nos ouvidos:

Os passos da pantera vêm pelas escadas,
Subindo mais, subindo mais pelas escadas.